1. INTRODUÇÃO
O presente projecto educativo tem como principal objectivo a melhoria da qualidade do serviço prestado por este Externato desde há mais de quarenta anos, promovendo uma mudança gradual nas práticas de gestão curricular, por forma a melhorar a eficácia da resposta educativa.
A sua elaboração resultou do trabalho de uma equipa de Docentes deste Estabelecimento, tendo também participado e contribuído para a sua execução outros elementos da comunidade educativa.
Sendo os Alunos a razão de ser do Externato, pretende-se com este documento uma orientação de forma a aumentar o sucesso escolar e a sua auto-realização. Assim sendo, queremos aqui definir de uma forma clara e pragmática qual o ideal de educação que pretendemos seguir bem como os objectivos que nos propomos atingir. Em resumo, neste projecto educativo está patente aquilo que o Externato Pedro Nunes quer ser e fazer.
2. HISTORIAL DO EXTERNATO PEDRO NUNES
O Externato Pedro Nunes foi fundado em 1965 com a finalidade de proporcionar, a jovens e adultos de ambos os sexos, a oportunidade de obterem as habilitações que, não conseguindo na idade própria, decidiram retomar posteriormente. É de referir que na altura da fundação do Externato Pedro Nunes, no concelho de Vila Nova de Gaia, era permitido o ensino misto, ao contrário do que acontecia no Porto (a uma distância inferior a quinhentos metros…). Assim, o Externato Pedro Nunes tem desde o seu arranque um carácter de pluralidade e de não discriminação que alicerça toda a sua actividade.
Somente a partir de 1982 é que se iniciaram no Externato Pedro Nunes os cursos em regime diurno, ao nível do ensino secundário (Curso Complementar e 12º ano Via de Ensino). Com as diferentes reformas do ensino por que Portugal foi passando, houve a necessidade de ir adaptando o Externato a todas as alterações do processo educativo.
Desde 1996 até 2007, apenas leccionámos o Ensino Recorrente por Unidades Capitalizáveis (ao nível do Ensino Básico –a partir do sétimo ano- e Secundário) pelo que os Alunos que têm frequentado o Externato têm sido, na sua maioria, estudantes – trabalhadores (jovens e adultos), estudantes que se sentiam de alguma forma desajustados ou discriminados no ensino regular ou ainda aqueles que tinham um ritmo próprio, diferente do dos colegas, sendo em consequência disso desencorajados de prosseguirem a sua carreira escolar no ensino regular.
Dada a especificidade dos cursos do Ensino Recorrente por Unidades Capitalizáveis, deparámo-nos inúmeras vezes com a situação de rejeitar Alunos que pretendiam frequentar o Externato, mas que não cumpriam os requisitos legais para a sua admissão, tais como, por exemplo, a idade mínima.
Foi como forma de responder a essas solicitações e também como uma necessidade imperativa de melhorar os espaços físicos que decidimos solicitar ao Ministério da Educação a abertura de novos cursos do Ensino Regular (Científico-Humanísticos de carácter geral) e do Ensino Secundário Recorrente por Módulos Capitalizáveis, inaugurando novas instalações.
O Externato Pedro Nunes teve o seu começo num prédio da Avenida da República, 421 (Sede – Edifício A), tendo posteriormente alargado as instalações com mais dois edifícios, ambos na mesma Avenida, nos números 395 (Secção 1 - Edifício B) e 620 (Secção 2 - Edifício C). Trata-se de três edifícios que foram adaptados para o funcionamento como escola, ao contrário das novas instalações sitas na Rua General Torres, 551 (Edifício D), que são resultantes de um estudo de raíz. Estes quatro edifícios situam-se na chamada “Zona Histórica de Gaia”, estando parte desta integrada na Zona Histórica do Porto que foi declarada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1996 .
Pelas características particulares do tipo de estudantes que o Externato Pedro Nunes serve, não podemos dizer que este Estabelecimento está inserido no meio social em que aqueles vivem, mas sim próximo do seu local de trabalho (ou do local de trabalho dos Encarregados de Educação) ou num ponto de passagem entre o emprego e a residência. Verifica-se, portanto, que grande percentagem de Alunos do Externato reside, maioritariamente, a sul do Rio Douro, em freguesias limítrofes do Concelho de Gaia. Além disto, constatam-se também grandes discrepâncias no que concerne aos níveis sócio-económicos familiares dos Alunos.
O meio sócio – económico envolvente é dominado, essencialmente, pelo comércio e serviços, não havendo uma grande densidade populacional nesta zona, resultante de um envelhecimento gradual da população local e pelo facto de, ao longo dos anos, os prédios de habitação terem vindo a ser substituídos por edifícios de escritórios (de realçar que, recentemente, se esteja a verificar uma inversão desta tendência).
3. IDEAL DE EDUCAÇÃO
É imperativo fazer despertar em nós, Portugueses, o que há muito parece estar adormecido – a busca da realização dos sonhos pessoais e profissionais e a consciência de toda uma experiência nacional e acções individuais, que algures no passado, nos tornaram grandes.
Procuramos, numa acção conjunta, que, ao terminarem o ciclo de estudos com sucesso, a maioria dos nossos alunos não tenha reunido apenas conhecimentos livrescos, mas, muito mais importante, lhes tenhamos fornecido mecanismos para, por eles, poderem crescer e tornarem-se cidadãos mais cultos, mais curiosos e mais conscientes do seu papel cívico.
Acreditamos que com trabalho, dedicação e visão se podem transformar os sonhos em realidade. Paralelamente, a luta honesta pelos nossos desejos e ambições conduz-nos necessariamente ao sucesso. Afinal, existem homens e mulheres comuns que conseguem o extraordinário, o que demonstra que a busca continuada dos nossos sonhos, traduzidos em objectivos, nos guia enquanto indivíduos e enquanto sociedade e nos transporta para além das tendências fragmentadas do mundo moderno.
É preciso iniciar a viagem da descoberta e torná-la interminável. A educação é um processo duradouro e os seus efeitos não são óbvios ou imediatos, mas constitui a fundação que permite transformar os sonhos em realidade.
Queremos que, nesta Escola, os Alunos sintam que o saber é um privilégio e que, numa economia em constante mudança não existe lugar para os desinteressados. A metodologia que nos propomos usar visa desafiar os Alunos à expansão dos seus horizontes. Este esforço conjunto, associado, como não poderia deixar de ser, a um cumprimento rigoroso do Regulamento Interno, permite-nos dar resposta ao interesse demonstrado pelos Alunos. Nós estaremos presentes, por forma a incutir-lhes conhecimentos académicos, sem deixar de fora os não menos importantes valores de cidadania, afinal, um país nada mais é do que o resultado da visão dos seus cidadãos.
Uma sociedade que se orgulha da sua democracia entende que os seus privilégios não podem ser maiores que as suas obrigações. A protecção do direito à educação não se pode sobrepor às responsabilidades inerentes aos Professores, aos Alunos e seus Educadores neste processo. É nesta interacção entre Professores motivados e Alunos e Encarregados de Educação conscientes da necessidade de ajuste à sociedade globalizante em que vivemos, que reside, claramente, o ponto de partida para a viagem rumo à descoberta do conhecimento e a um futuro de sucesso.
4. OBJECTIVOS
Propomo-nos:
- Proporcionar aos Alunos formação e aprendizagem qualificada, de acordo com os planos curriculares e programas oficiais em vigor, incentivando-os de forma a, com sucesso, terminarem o ciclo escolar a que se propuserem.
- Proporcionar aos Encarregados de Educação uma maior tranquilidade, fruto de um acompanhamento constante dos seus Educandos, através de uma articulação eficaz entre a Escola e a Família.
- Desenvolver um trabalho pedagógico adequado às finalidades de cada curso e ao desenvolvimento da Formação Individual, recorrendo a Docentes qualificados e motivados para tal.
- Implementar métodos de trabalho capazes de fazer desenvolver nos Alunos a autonomia imprescindível na sua vida futura, tendo em vista a sua auto-realização.
- Estimular o interesse e o gosto pelo conhecimento.
- Promover actividades no sentido de desenvolver a capacidade de raciocínio, transformando a informação em conhecimento e este em experiência.
- Desenvolver o espírito de curiosidade e de crítica.
- Enfim, incutir nos nossos Alunos um sentido de responsabilidade social e maturidade cívica, que resultem na formação de um adulto capaz de analisar com idoneidade o mundo à sua volta e com disposição para ocupar um papel activo e benéfico na sociedade. Pretendemos que os nossos Alunos venham a ser excelentes a nível global e não apenas nacional.
5. CONCRETIZAÇÃO DO PROJECTO EDUCATIVO
Para viabilizar a aplicação e o bom funcionamento deste Projecto Educativo, encontram-se expressas no Regulamento Interno do Externato Pedro Nunes todas as normas e condicionantes a observar pelo Corpo Docente, Não-Docente e Discente, bem como os Recursos Materiais disponíveis e a organização e distribuição dos Recursos Humanos.
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